Tendo Portugal uma expressão territorial de aproximadamente 92 mil km2, a materialização do investimento previsto para o Projecto RAV contribuirá, seguramente, para melhorar os índices de mobilidade de pessoas e bens, factor potenciador do grau de produtividade, não só a nível interno, mas, de igual modo, a nível ibérico.
Neste contexto, a RAV contribuirá para a aproximação das populações, na medida em que irá permitir a redução dos tempos de deslocação actuais. De igual forma, a disponibilidade e o desempenho do serviço fomentará a procura da AV ferroviária, aumentando, significativamente, o seu mercado potencial, tal como tem vindo a suceder em outros países europeus.
De acordo com os estudos realizados, com a introdução da AV ferroviária no eixo Lisboa/Madrid, as poupanças de tempo serão, em termos de n.º de horas, de 6,73 milhões em 2015 e de 9,6 milhões em 2030. Para além da poupança de tempo haverá também repercussões positivas a diversos níveis, tais como a diminuição da sinistralidade rodoviária ou a redução substancial do consumo de combustíveis e das emissões poluentes.
Em termos de oferta, o Projecto RAV, tal como actualmente previsto, coincide com os principais aglomerados populacionais existentes em Portugal, potenciando a procura da AV ferroviária, uma vez que cerca de 17 milhões de habitantes se distribuem na área delimitada entre Lisboa, Porto e Madrid e 10 milhões se concentram nas zonas urbanas de Lisboa, Porto e Madrid, com tendência de crescimento.
Com efeito, o Projecto RAV reúne as condições consideradas necessárias para satisfazer as necessidades da população e, simultaneamente, desfrutar de um significativo leque de oportunidades, decorrentes da sua localização estratégica.
A este nível, a figura seguinte demonstra o alinhamento dos eixos previstos para o Projecto RAV com os principais corredores e pólos de integração económica, nacionais e ibéricos.
Corredores e pólos de integração económica
Face ao apresentado, ao privilegiar uma mobilidade mais sustentável em termos energéticos e ambientais, a AV ferroviária favorece uma estruturação territorial apoiada em economias de escala com as deslocações em torno de grandes pólos demográficos e de actividades.
Deste modo, torna-se possível atrair actividades de elevado valor acrescentado e competir a níveis mais vastos, em conexão com uma rede urbana europeia mais equilibrada, contrariando o modelo de dispersão territorial dos aglomerados urbanos induzido pelo uso indiscriminado do veículo privado.
De acordo com este enquadramento, a implementação do Projecto RAV contempla a promoção de uma política eficiente de melhoria da mobilidade e das acessibilidades internas e europeias aos seguintes níveis:
- Minimização dos estrangulamentos à mobilidade, nomeadamente através da diminuição de distâncias, medidas em tempo de percurso;
- Ligação entre os principais centros de mobilidade de pessoas e bens no litoral da Península Ibérica (eixo atlântico entre Lisboa, Porto e Vigo) e das duas capitais ibéricas (Lisboa e Madrid), palcos de uma contínua expansão geográfica e populacional, reforçando a coesão territorial e a partilha de oportunidades;
- Contribuição para uma maior circulação de mercadorias, atendendo à fiabilidade e rapidez do serviço ferroviário de AV;
- Encorajamento do aumento da oferta de serviços “expresso” entre aeroportos internacionais e as principais cidades;
- Regiões como o Alentejo (em Portugal) e, de forma semelhante, a Extremadura (em Espanha), duas das zonas menos desenvolvidas a nível europeu, experimentarão importantes melhorias na sua integração territorial, económica e social;
- Ligação do sistema ferroviário (AV e convencional) a portos, aeroportos e plataformas logísticas;
- Mais de 50% da população efectuará deslocações entre os principais centros urbanos nacionais, com um tempo composto de viagem igual ou inferior a 2 horas (tempo de origem a destino); para um tempo de viagem igual ou inferior a 3 horas, a população abrangida será cerca de 90%;
- Com a integração na rede transeuropeia de transportes a Europa ficará mais perto.