Valor acrescentado gerado pelo sector turístico pode aumentar cerca de 553 milhões de euros depois da implementação da rede de Alta Velocidade.
À semelhança do que aconteceu em Espanha e França, benchmark deste estudo, a Alta Velocidade deverá reflectir-se num aumento significativo das shortbreaks e do Turismo de Negócios
A entrada em funcionamento da rede de Alta Velocidade (AV) em Portugal poderá gerar por si só mais de 36 mil novos empregos no sector do Turismo e contribuir para o valor acrescentado gerado pelo sector com cerca de 553 milhões de euros em 2030. Estas são algumas das conclusões do ‘Estudo sobre o Impacte da Rede de Alta Velocidade no Turismo Nacional’, que a Rede Ferroviária de Alta Velocidade (RAVE) apresenta hoje, dia 14, na Bolsa de Turismo de Lisboa.
Realizado pela Deloitte com o acompanhamento da Confederação do Turismo Português (CTP), este estudo conclui também que a AV poderá gerar mais 770 milhares de hóspedes e cerca de dois milhões de dormidas em 2030, contribuindo, de forma significativa, para o crescimento de um dos sectores considerados estratégicos para a economia nacional.
A implementação da AV em Espanha e França, o benchmark utilizado como referência para este estudo, provocou alterações significativas no sector turístico dos dois países ao alterar o padrão da mobilidade, reflectindo-se num aumento das viagens de curta duração (shortbreaks) e de negócios, na maior frequência das viagens bem como na redução da estada média.
De forma a obter sinergias entre a AV e o turismo, as entidades espanholas e francesas ligadas ao sector têm desenvolvido medidas estratégicas que incluem a promoção de produtos e serviços turísticos específicos, tarifas especiais para operadores turísticos, pacotes de destinos articulados com transporte, entre outros. A título de exemplo, em Espanha foi criada a Red de Ciudades AVE.
Oportunidades, riscos e recomendações para o sector
Numa análise efectuada ao sector turístico nacional, os responsáveis pela realização do estudo identificaram as oportunidades decorrentes da entrada em funcionamento da rede de Alta Velocidade no nosso país para concluir que deverá reflectir-se num aumento da atractividade de Portugal como destino e num aumento do número de turistas e excursionistas (em termos de mercado interno alargado, a AV poderá servir 58 milhões de consumidores ibéricos).
O estudo alerta, contudo, para a necessidade de combater um eventual acompanhamento ineficiente das alterações induzidas pela AV, provocado, por exemplo, por uma desadequação da oferta de produtos, do aumento da concorrência e da pressão sobre os produtos turísticos pouco diferenciados ou da polarização do turismo nos grandes centros urbanos.
O estudo define também um conjunto de recomendações estratégicas para o desenvolvimento do sector turístico em Portugal, assentes na qualidade, competitividade e sustentabilidade da oferta. Um novo reposicionamento - quer dos agentes de turismo, quer do sector dos transportes - e uma forte estratégia de marketing revelam-se essenciais para potenciar as oportunidades criadas pela AV.
No total, são apontadas 15 recomendações que incluem a adaptação do Plano Estratégico Nacional de Turismo, desenvolvimento de um plano de marketing de proximidade ibérica e para as regiões servidas pela AV, elaboração de um plano de desenvolvimento das infra-estruturas complementares e de suporte à actividade turística e promoção conjunta de Portugal e Espanha nos mercados longínquos. Aos agentes do sector do turismo e dos transportes caberá o desenvolvimento de produtos e serviços diferenciadores ou complementares, tendo como foco principal o perfil e as necessidades do utilizador final.
Sobre a RAVE
A RAVE, Rede Ferroviária de Alta Velocidade, S.A., é a empresa portuguesa que tem por missão o desenvolvimento e coordenação dos trabalhos e estudos necessários para a formação de decisões de planeamento e construção, financiamento, fornecimento e exploração de uma rede ferroviária de Alta Velocidade a instalar em Portugal e da sua ligação com a rede espanhola de igual natureza.
Ficha Técnica do Estudo
Estudo sobre o impacte do projecto de alta velocidade no sector do turismo em Portugal
Realizado entre Junho e Dezembro de 2009
Promotor: RAVE - Rede Ferroviária de Alta Velocidade, S.A.
Realização: Deloitte Consultores, S.A.
Acompanhamento: Confederação do Turismo Português (CTP)
Apresentação
Sumário Executivo
A Alta Velocidade e o Turismo
Brochura
Estudo